Exercício Respiratórios

 

Estudos comprovam que a prática quotidiana de exercícios respiratórios são importantes para saúde e bem-estar além de ajudar no tratamento de diversas doenças

Um estudo na Itália, na Universidade de Pavia, conduzido pelo médico cardiologista Luciano Bernardi, revelou que há uma a influência de rezar a ave-maria sobre o sistema cardiovascular. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a oração em latim, lida em voz alta, tinha efeito calmante sobre os fiéis. O que Bernardi e seus pares constataram foi que isso não tinha relação com a fé, e sim com o ritmo da respiração exigido pela métrica da oração. Para dizer cada frase inteira e respeitar os intervalos, é preciso baixar o número de inspirações e expirações para seis por minuto, um terço do ritmo normal. Esse ritmo respiratório mais lento reduz a frequência cardíaca e baixa a pressão arterial. Daí a sensação de calma.

Outros estudos também procuram explicar e medir o efeito do controle da respiração sobre a saúde. Essa relação é conhecida empiricamente há milénios pela medicina oriental, mas só recentemente começou a ganhar status de assunto sério nos principais centros de pesquisa do mundo. A respiração controlada, revela-se coadjuvante eficiente no tratamento de transtornos de ansiedade, de hipertensão e até de dores crônicas, em alguns casos permitindo reduzir expressivamente as doses de medicamento.

A respiração controlada interfere no funcionamento do sistema nervoso autónomo, que é dividido em dois: o simpático e o parassimpático. O primeiro prepara o corpo para enfrentar situações de perigo. Ao receberem um sinal de alerta, motivado por situação real ou imaginária, diversas áreas do cérebro entram em acção, desencadeando reações destinadas a enfrentar essa ameaça. Substâncias que contraem os vasos sanguíneos (como a adrenalina) são liberadas, provocando aceleração dos batimentos cardíacos e elevação da pressão arterial. Quando a ameaça desaparece, o sistema parassimpático conduz o corpo de volta a seu estado normal.

A respiração pode interferir nesse processo porque é a única das funções regidas pelo sistema nervoso autónomo que se pode controlar. Não é possível baixar ou elevar voluntariamente a temperatura corporal ou alterar a velocidade da circulação do sangue. Mas é perfeitamente possível alterar o ritmo da respiração. O que os médicos constataram é que, quando se respira lenta e profundamente, se envia ao cérebro uma mensagem tranquilizadora que ajuda a desarmar os sistemas de defesa. A respiração mais eficaz para isso é a diafragmática, semelhante à respiração dos bebés, que expandem o abdómen ao inspirar. Estudos do Laboratório de Pânico e Respiração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostram que 70% dos pacientes que sofrem de distúrbios de ansiedade conseguem diminuir em até 60% a dose de antidepressivos e ansiolíticos depois de seis meses. Verificou-se que para quem sofre de pânico, o treino da respiração diafragmática é o primeiro passo para a resolução do problema sem medicamentos, tornando-se assim um precioso aliado também para enfrentar o stress e a correria do dia a dia. O controle respiratório representa uma boa estratégia para uma vida saudável, ao lado da alimentação balanceada e da actividade física regular.

As pesquisas constatam bons resultados do condicionamento respiratório também no controle da pressão arterial. Em 2002, o Food and Drug Administration (FDA), a agência americana que regula a venda de medicamentos, liberou um dispositivo chamado Resperate, uma espécie de walkman criado por médicos israelitas com o propósito de ditar o ritmo das inspirações e expirações. A prática de quinze minutos diários mostrou efeito significativo em estudos que abrangeram 507 hipertensos, todos sob orientação médica.

Na Universidade Stanford, os exercícios respiratórios são vistos como uma ferramenta para enfrentar a dor crónica com menor grau de desconforto. Eles permitem enfrentar as crises com menos medicação. A dor crónica tem um factor emocional, que atina o sistema simpático e, consequentemente, aumenta a tensão muscular. O controle da respiração permite que o corpo fique mais relaxado. Essa é uma área em que ainda não há estatísticas que confirmem a relação entre os exercícios e a melhora do quadro dos doentes, mas há fortes evidências e muitos estudos em andamento que permitirão em breve medir adequadamente o efeito da respiração sobre o sistema imunológico.

 

Fonte: Revista Veja Edição 2142; 9 de Dezembro de 2009

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