A Arte de Ser Feliz

 

Felicidade é a aspiração humana mais procurada de todos os tempos. Este tema ocupa um lugar crucial na mente dos homens que procuram uma descrição exaustiva junto da filosofia, da política, da economia, da psicologia e da religião.

O termo felicidade é proveniente do latim felicitas, que significa "fértil, frutuoso, fecundo". Felicidade pode ser definida como um estado de fecundidade que gera vida e vitaliza a nossa existência.

A referência filosófica mais antiga de que se dispõe sobre o tema é um fragmento de um texto de Tales de Mileto, que viveu entre as últimas décadas do século 7 a.C. e a primeira metade do século 6 a.C., que diz: "É feliz quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada".

Os filósofos gregos Aristóteles e Epicuro, há 2000 anos, usavam os termos "eudaimonia" e "hedonismo" para explicar a felicidade.

A felicidade eudaimónica é a felicidade duradoura, relacionada com o crescimento pessoal. Causa o bem-estar psicológico e ajuda-nos a enfrentar desafios, a manter o equilíbrio emocional e a buscar nossos objetivos pessoais.

A felicidade hedónica é a que surge da satisfação imediata. É observada através da medida da avaliação positiva das pequenas coisas do quotidiano e da consideração dos maus momentos de cada dia.

Ambos os tipos de felicidade não se excluem e, provavelmente, uma reforça a outra, pois tanto o alto grau de satisfação vital como estados de ânimo positivos elevam o nível de bem-estar. Aristóteles afirmava que a felicidade atinge-se pelo exercício da virtude e não da posse.

Epicuro fez o elogio da frugalidade. Convida o homem a reduzir os desejos ao mínimo, para obter a satisfação máxima. Descreve a felicidade e o bem-estar através da disposição sincera e do cuidado para com o próximo.

O psicólogo Martin Seligman iniciou um discurso sobre a teoria do bem-estar. Estabeleceu um modelo de cinco elementos de bem-estar chamado PERMA: Positive Emotion (Emoção Positiva); Engagement (Compromisso); Relationship (Relacionamentos); Meaning (Significado); Accomplishment (Realizações).

O que diferencia a visão filosófica da visão do século XXI é que com as descobertas da interligação entre os neurónios, da serotonina, da dopamina, elementos químicos relacionados com o estado de humor, obtiveram-se dados mais concretos que aproximam felicidade à saúde. As pesquisas sugerem que sentimentos de positividade e contentamento parecem beneficiar a saúde física em geral. A felicidade tem sido associada também a um tempo de vida mais longo.

Utiliza-se a expressão "bem-estar" como nome genérico para algo que, frequentemente, chamamos "felicidade", que é um termo impreciso por referir-se a uma multiplicidade de estados. Para muitos autores o bem-estar incluiria: felicidade, satisfação vital, satisfação laboral, sentimentos positivos e ausência de sentimentos negativos.

Segundo Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, que estuda a felicidade há mais de duas décadas, o conceito de bem-estar é: " Simplesmente sentir-se bem". Nas suas pesquisas e livros sobre o tema, Gilbert mostra que a felicidade não é uma sensação eterna, é um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer.

Ao falarmos de felicidade falamos em desenvolvimento pessoal por ser um aspeto importante. Aceder à sabedoria através da palavra e do raciocínio é tentar tomar a vida com as próprias mãos.

Segundo o teólogo e poeta José Tolentino Mendonça a ideologia da felicidade tem disseminado de modo maciço a frustração, a tristeza e a infelicidade. Tornamo-nos mais infelizes a partir do momento em que erguemos a felicidade como idealização que impregna o nosso universo.

A demanda de felicidade e o seu desejo podem afastar-nos do objetivo de a alcançar. Os líderes religiosos, como o Dalai Lama, insistem que a única maneira de alcançarmos a felicidade real é fazermos os outros felizes.

Estar feliz ou triste é um ir e vir. Apesar de difíceis, os processos de infelicidade funcionam como um momento para amadurecer, pensar e repensar atitudes e projetos.

Segundo o psicólogo Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, passamos a julgar nossa felicidade não pela situação atual, mas pela perspetiva de melhorar de vida no futuro.

Pode dizer-se que, de uma maneira geral, todos os indivíduos seguem um gráfico vital de bem-estar emocional que se repete, dando a entender que há algo biológico que influi na forma como vivemos as emoções positivas ao longo da vida.

A curva da felicidade, ou melhor, a grafia que retrata a declaração da felicidade tem a forma de U. O começo da vida, incluindo a adolescência, é o período em que as pessoas se declaram mais felizes, bem como na velhice. Na idade madura, entre 40 e 50 anos é quando se declaram menos felizes. A conclusão é que na idade madura há um balanço do vivido relacionado com os objetivos do passado e expectativas futuras e é nesse período que o indivíduo está mais exposto à competição e à pressão do stress.

Paradoxalmente o grupo de idade mais avançada, passou por uma aprendizagem adaptativa no sentido de ser capaz de abandonar as ambições idealistas ou irrealizáveis e viver com uma perspetiva mais realista.

O ideal seria viver o momento presente a maior parte do tempo, para diminuir a ansiedade da preocupação com o futuro e aliviar o peso do passado. A meditação pode ser de ajuda, para serenar a mente e dissipar pensamentos intrusivos.

Para termos esse modo de vida, o caminho não é simples. É indispensável analisar o passado para compreender como somos, quem somos hoje e diminuir a possibilidade que o vivido determine inconscientemente a nossa vida de forma negativa.

A psicoterapia ajuda-nos a perceber que podemos alcançar a felicidade, quando não a confundimos com prazer e tomando consciência do poder de melhorar nossos pontos de vistas e sentimentos, através do pensamento.

A felicidade não é um estado para TER, mas parece surgir como um produto de atividades compensatórias que nos preenchem. Identificar e praticar tais atividades é talvez o meio mais seguro para descobrir o que nos faz feliz.

Alcançar a felicidade, normalmente, envolve momentos de considerável desconforto. O dinheiro é importante para a felicidade, mas apenas até certo ponto. O dinheiro compra a liberdade de se preocupar com o básico da vida: moradia, comida, saúde e roupas. As circunstâncias da vida, realizações, estado civil, relações sociais, até mesmo os vizinhos, todos influenciam o quanto se é feliz.

Pesquisas mostram que grande parte da felicidade está sob o controle pessoal. Entregar-se a pequenos prazeres, ser absorvido em atividades desafiadoras, estabelecer e cumprir metas, fazer pontes afetivas com os outros e encontrar um propósito além de si mesmo…Tudo isso aumenta a satisfação com a vida. Como dizia Goethe: "Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira".

Na minha opinião, para ser feliz é fundamental ter saúde, um pouco de sorte e uma mente bem formada. Hoje a ciência inclui como pré-requisito para a felicidade também ter um equilíbrio químico adequado, que favoreça um estado de humor positivo. Dinheiro é necessário para garantir as necessidades básicas da vida, mas o excesso não nos faz mais felizes. É importante, tomar a vida pelas próprias mãos e não desanimar com períodos menos felizes. Ser feliz não significa não ter dificuldades, mas conseguir superá-las.

Viver a vida de modo autêntico de acordo com os próprios valores e princípios, ter um equilíbrio saudável entre corpo, mente e espírito é o caminho para a felicidade.

Mariagrazia Marini Luwisch Fevereiro 2019

 


 

 

 

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