Bebés: novo manual aos pais

Cuidar dos bebés é bem mais simples do que se imagina. Avanços em conhecimentos sobre a fisiologia e a psicologia infantil e os progressos nos exames de imagem permitiram desvendar grande parte do funcionamento do organismo dos pequenos. E a ciência do bebé traz notícias animadoras. Actualmente, as orientações para a primeiríssima infância baseiam-se, em sua maioria, em sinais emitidos pelos próprios bebés. É o caso da fralda, que em algum momento, até os 4 anos de idade, a criança começará a dar sinais de que não precisa mais usar e da amamentação, que além de sempre se reforçar a importância do aleitamento materno, não é preciso seguir horários rígidos.

Estudos concluíram que o leite materno por ser digerido muito rapidamente e como cada bebé tem seu próprio ritmo e sua própria necessidade, é impossível fixar um intervalo regular entre as mamadas. A orientação aos pais é para que o bebé determine quando e quanto se alimentar, o que o ajuda também a controlar os seus mecanismos de saciedade.

A partir do momento em que foi possível mapear o cérebro dos bebés em actividade e acompanhar seu desenvolvimento, os rumos da pediatria mudaram. Até o início da década de 80, as orientações dos pediatras aos pais eram feitas, sobretudo, por meio da observação pura e simples do comportamento infantil. As recomendações actuais são mais precisas por serem baseadas em informações comprovadas cientificamente. Por exemplo, as cólicas dos primeiros três meses, que durante muito tempo, acreditava-se que eram consequência da má digestão e eram tratadas com medicamentos antigases, sabe-se agora que essas dores abdominais são decorrentes da imaturidade do sistema nervoso central por ainda não conseguir coordenar os movimentos peristálticos do intestino. Ou seja, as cólicas são fruto das contracções irregulares da parede intestinal do bebé.

Quanto à alimentação foi constatado que, como o sistema imunológico dos pequenos só amadurece por volta dos 2 anos, crianças até essa idade são mais susceptíveis a alergias. Por isso, ao contrário do que se pregava antes, o leite de vaca deve ser evitado a todo custo, ao menos durante o primeiro ano de vida. E não adianta diluí-lo em água, de forma a torná-lo mais apetecível ao bebé. Esse hábito está formalmente condenado pela Academia Americana de Pediatria desde o início dos anos 2000, por ser o leite de vaca (diluído ou não) riquíssimo em proteínas que o organismo dos bebés não está preparado para processar em quantidades elevadas. Quando as moléculas dessas proteínas caem na corrente sanguínea sem que tenham sido digeridas adequadamente, as células de defesa ainda imaturas do bebé podem identificá-las como agentes agressores e partir para o ataque. Resultado: pode ocorrer um quadro de alergia alimentar. A descoberta de como o organismo reage ao leite em seus primeiros anos de vida propiciou o aperfeiçoamento das fórmulas infantis. Além das proteínas modificadas do leite de vaca, as versões mais modernas, lançadas no início dos anos 2000, contêm pró bióticos, bactérias que ajudam a regularizar o ritmo dos intestinos e reforçam o sistema imunológico.

Aos 2 anos, a criança terá somado cerca de 130 bilhões de neurónios. É a etapa em que o ser humano mais desenvolve células nervosas. Sem as experiências dos primeiros anos de vida, no entanto, eles são um livro praticamente em branco. Os neurónios precisam de estímulos para que formem conexões fortes e amplas.

De acordo com os estudos do economista americano James Heckman, ganhador do Prémio Nobel de 2000, quanto mais cedo uma criança for estimulada, maior será a probabilidade de se tornar um adulto bem-sucedido - com mais recursos cognitivos e emocionais para enfrentar a vida. Por estímulos, entenda-se desde o hábito de contar histórias até ouvir música e brincar com ela. Numa de suas pesquisas, Heckman demonstrou que uma criança de 8 anos que tenha tido sua memória estimulada aos 3, por jogos, domina cerca de 12.000 palavras - o triplo de uma criança da mesma idade que não tenha recebido o mesmo incentivo. Um trabalho conduzido na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revelou que os bebés que passam a maior parte de seu primeiro ano de vida no berço, com pouco contacto físico com seus familiares demoram a sentar e a andar. Ou seja, afecto e carinho ajudam a fortalecer as conexões entre os neurónios, sobretudo aqueles responsáveis pelo equilíbrio e pela locomoção.

Estímulos em excesso, entretanto, podem ser prejudiciais. Uma criança que é forçada a começar a escrever antes dos 5 anos tende a apresentar problemas de aprendizagem. Um dos mais comuns é a troca do "p" pelo "b". Segundo os preceitos da novíssima pediatria moderna é o próprio interesse da criança que deve contar e que é o melhor indicador da qualidade e da quantidade do estímulo oferecido. Se a criança de 3 anos demonstra interesse em aprender a escrever o próprio nome, mas se recusa a se aventurar em outras palavras, os pais não devem forçá-la. Ela está simplesmente dando a entender que não está madura o suficiente para ir além.

Concluindo é preciso observar e respeitar o bebé nos primeiros anos de vida, que são de importância vital para um desenvolvimento emocional saudável.

Livro para orientação: “Filhos - Da Gravidez Aos 2 Anos De Idade”
Dos Pediatras Da Sociedade Brasileira de Psicanálise Para Os Pais, Editora Manole.

Dr.ª Mariagrazia Marini Luwisch
Psicóloga Clínica - Psicoterapeuta

 

 

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